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O Albergue (2005)

“O Albergue” seria baseado numa história real. Fato ou farsa?

No Universo do cinema de terror, é fácil encontrar histórias escabrosas. E essa é uma das principais finalidades, confrontar o sentimento de medo e angústia em cada um de nós. É claro que cada longa metragem usa das ferramentas que bem entender. Alguns apelam para o sobrenatural. O Exorcista é o exemplo claro desse quesito. Outros, preferem ser mais práticos, colocando uma frase que faz qualquer um coçar a cabeça. Baseado em fatos reais. Dentro desse grupo, temos o filme “O Albergue” de 2005. Produzido por Eli Roth, o filme narra a aventura de um grupo de amigos que viajam ao Leste Europeu em busca de diversão. Porém, encontram apenas a morte. E de uma forma um tanto gráfica, com mutilações, tortura e sangue escorrendo pela tela.

O produtor inclusive, enquanto o filme ganhava fama na sala dos cinemas, disse que se baseou em uma história real. Ocorrida na Tailândia, de sites que tinham como ponto principal vender pessoas para que fossem mortas por outras pessoas.  O diretor teria visto uma propaganda desse site em que por dez mil dólares seria possível atirar na cabeça de alguém. Essas pessoas normalmente eram retiradas de vilas pobres da Tailândia. É claro que esse marketing funcionou. Surgia então mais uma lenda urbana. Dentro da Deep Web, uma área de acesso restrito ao público leigo, seria possível encontrar este tipo de conteúdo. Assim como outros, dentre eles violência explícita, canibalismo e venda de armas e drogas.

Contudo, a ideia de fatos reais acaba por aí. O Albergue não é baseado em fatos reais, da mesma forma que Holocausto Canibal e A Bruxa de Blair. Todos surfaram na fonte de serem realidade quando na verdade, era um marketing disfarçado. Depois do sucesso do filme, o próprio Eli Roth veio a público dizer que isso tudo não passava de sua imaginação, e que não havia site na Tailândia que vendia pessoas para serem mortas. O diretor pode ter mentido? Pode! Mas então, onde veio a luz para tal imaginação fértil? Pois é. O caso tailandês pode não ter sido realidade. Contudo, não quer dizer que o dito site ou outros da mesma estirpe não existam na Deep Web. Filmes que usam de assassinatos reais para divertimento são chamados de Snuff. Existem casos reais de pessoas que pagaram para assistir atrocidades reais.

O exemplo disso é de Peter Scully, um australiano condenado a prisão perpétua por crimes como tortura e pedofilia em 2012. Segundo investigações que levaram a sua sentença, Scully perpetrou uma vasta redes de vídeos pay-per-view através da Deep Web onde usuários compravam seus vídeos fazendo atrocidades com crianças, chegando inclusive a um bebê de dezoito meses. Esse filme em especial, chamado de Daisy’s Destruction era vendido por US$ 10.000,00. Hoje, Scully está preso nas Filipinas onde foi inicialmente sentenciado a morte. Porém, com a mudança na legislação penal local, crimes como estupro e tráfico de pessoas não possuem mais esse tipo de pena. Agora, o máximo que Scully terá é a sentença de prisão perpétua. Se comparada a todas as atrocidades produzidas por ele, é o mínimo que se espera.

O caso de Peter Scully pode ser macabro e de certa forma, pode ter criado a fértil imaginação de Eli Roth em sua busca por um filme extremo como “O Albergue”. Contudo, existe mais um caso igualmente emblemático, que parece ser uma fonte para o filme. E demonstra até quando a perversidade humana pode chegar. Uma outra lenda urbana é relativa ao vídeo “3 Guys and 1 Hammer”. Três caras e um martelo no bom português. Pois então, esse vídeo não é lenda, mas uma realidade. Eles foram produzidos por dois jovens, Víktor Sayenko e Alexander Hanzha, ambos de 19 anos em 2007 na Ucrânia. Esse vídeo, que não foi postado na Deep Web é perturbador. Mostra bem a brutalidade dos jovens contra Sergei Yatzenko, um homem de 48 anos.

Sergei tinha uma esposa, dois filhos e um neto, além de que ele cuidava de sua mãe com deficiência. Sua morte foi a mais brutal possível, com os jovens usando uma martelo para desfigurar completamente o rosto de sua vítima.  Depois de serem presos não somente pelo assassinato de Sergei, mas por outras 20 vítimas, os Maníacos de Dnepropetrovsk foram condenados por suas atrocidades. Ambos os casos foram antes de 2015, o que pode ter servido de bom grado para Eli Roth produzir seu longa metragem. E a lenda por trás da existência de sites assim ainda permanece na mente. Embora sem nenhuma fonte fidedigna para arcar, é possível encontrar na internet casos de compra e venda de crianças para tortura na Índia por exemplo, em que especialmente crianças e adolescentes eram vendidos por suas famílias miseráveis como forma de arrecadar algum tipo de renda.

A polícia local teria sido ativada para apurar esse tráfico de pessoas, porém não é possível encontrar nenhuma fonte que afirme tal menção. Então pelo menos esse caso indiano é tratado como lenda. Já os dois na Ucrânia e nas Filipinas são reais, sendo inclusive os vídeos utilizados como prova para a condenação de seus mentores. Agora, quando você novamente quiser ver o “Albergue” provavelmente terá um alívio mas também um aperto. Alívio por saber que nada daquilo foi baseado na forma como o marketing divulgou, mas um aperto de que existem maníacos que lucram perante o abuso e a extrema violência de seus semelhantes.

Fonte: 9News, Tricurioso, ABS-CBS News