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Velvet Buzzsaw e a falha busca pelo diferente

A Netflix há algum tempo vem lançando cada vez mais filmes e séries originais, mantendo um catálogo cheio de coisas novas. Entretanto, muitos notaram que esses filmes vem sempre sendo as mesmas histórias conhecidas e já até enjoativas. Por isso, no começo de 2019 para tirar de vez essa fama, a Netflix lançou sua mais nova obra: Velvet Buzzsaw. 

Com a premissa de algo diferente e inesperado, o filme mostra todo o por trás das cenas de pessoas que trabalham com arte. Como o dinheiro, marketing e as críticas são mais importantes que as próprias artes, e todos os esquemas que envolvem essa área. No meio desse caos que é o mundo artístico, incríveis e cativantes obras são encontradas no apartamento de um cara morto.

Quando percebem que essas obras teriam o poder de fazê-los ricos, essas pessoas começam a se envolver em um projeto de tornar Vetril Dease famoso. O que eles não imaginam, é que essas pinturas envolvem alguns segredos sobrenaturais.

Velvet Buzzsaw ficou desde o dia que foi anunciado até o dia que lançou na lista dos mais esperados do ano. Principalmente por toda a equipe trabalhando no filme que já tem muita credibilidade no mundo do cinema Hollywoodiano. O diretor, Dan Gilroy, ficou conhecido após dirigir “O Abutre” de 2014. E atores muitíssimos renomados como Jake Gyllenhaal, que também trabalhou com Dan em “O Abutre”, além de Rene Russo e Toni Collete.

O filme tem passos lentos, e até uns 50 minutos dele, você não faz ideia do que esse filme quer dizer. E no final, você também não tem noção do que o filme realmente queria passar.

Mesmo ao chegar no ápice, as coisas continuam lentas. Ele tenta entregar sátira e terror, e no final não se compromete com nenhum desses. Tudo se envolve em torno da arte, mas não daquela arte em que o que os move é paixão pelo que faz, e sim pelo poder de reconhecimento e fama que ela traz consigo. Existe um humor negro durante todo o filme, mas não forte o suficiente para entrar nesse gênero.

O começo é muito focado nessa parte mais satírica dos personagens, que são completamente cínicos e narcisistas. Nada mais para provar do que o nome deles como: Morf Vanderwalt, Rhodora, e o melhor, Jon Dondon.

Uma das frases mais interessantes do filme é “A arte é perigosa, Morf“. A frase se encaixa e resume muito bem o filme, mas o restante dos diálogos parecem meio distantes. Mais que isso, o longa tem uma grande quantidade de personagens no qual você não sente nenhuma redenção ou adoração por eles. O mais próximo de uma história profunda é Morf, interpretado por Jake Gyllenhaal. E, é ele que basicamente carrega o filme nas costas.

Com uma atuação impecável, ele consegue novamente se desconectar de qualquer personagem já feito e realmente entrar no jogo como Morf. Esse é o personagem mais diferente do restante, apesar de se mostrar completamente exagerado e parecido com todos ali, no meio começamos a ver um lado mais inseguro dele. Que, infelizmente, não é muito aprofundado.  Morf é o único que entra em uma aventura de desvendar essa maldição das obras ao invés de querer somente lucrar.

Porém, é preciso dar ênfase, que além de uma bela fotografia, também há o trabalho das mortes que são criativas e bem feitas de maioria. Que poderiam ter sido escondidas do trailer, no qual entregou muita coisa de bandeja.  Não é um filme sobre “O que é arte?”, e sim até onde elas e seu valor valem a pena. Não ache que ela te dará um foco na arte em sim, mas sim nas mentes interessadas somente na fama e dinheiro que trabalham com elas.

Talvez o maior erro de Dan foi ter sido covarde e não ter mergulhado realmente de cabeça na sátira e no suspense, e não ter ficado só na superfície como ele fez. Veja bem, Velvet Buzzsaw não é um filme para se odiar. Na realidade, pode até ser divertido ver o trabalho narcisista e de como as coisas funcionam, mas deixa muito a desejar.

 

E você, o que achou de Velvet Buzzsaw? Deixe seu comentário.