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Um minuto… na espera! O gosto do GoodBye.

Ding Dong! Ô-Ou! Whistle! Ou qual fosse o barulho, algo me prendia ali naquela varanda a pensar que aquele dia estava abençoando os velhos, jovens  e futuros casais. Mas era uma terça-feira.

“Era uma terça feira comum. Sol intenso lá fora, céu azul e nenhum sinal de nuvens para compor aquele mais belo pôr do sol que sempre atrai a minha câmera Nikon para me levar para passear um pouco lá pelas 17 horas à beira mar. Ao sair da varanda, ainda com o celular na mão: Ding Dong! Ô-Ou! Whistle! Eu precisava conferir o que havia de novo alí. Naquele submundo que acabara de ser criado por uma sociedade que para mim fora pré-descrita como “alheia” (para não dizer alienada ao mundo a cerca). Mas será mesmo que aquelas pessoas estavam alienadas ao mundo ao seu redor? Ou só conectadas? Eu precisava descobrir.

Foi então que no sábado de madrugada eu respondi a alguns emails e senti a falta de algo mais. Aquela mensagem tinha um gosto de café-com-leite doce. Era muito mais leve do que a minha caneca favorita. E muito mais colorida. E ainda no domingo, pois era madrugada, aquele gosto de café me perseguia e me atormentava. Busquei minha xícara favorita, fiz um café e me deleitei às 3hs da madrugada naquela cozinha em uma temperatura fria que mal parecia ser uma temperatura de uma casa localizada a uma quadra de uma praia com aguas cristalinas. Ah! Aquele café! Com sabor de açúcar mascavo. Doce no inicio e amargo no recordar. Não tinha como não dormir melhor após  15 minutos divagando o teor daquelas palavras com gosto de café, mais leve que minha xícara favorita e muito mais colorida.

Mas o dia vira. Vira outro dia, outra data, outra cor no nascer do sol.  Outra temperatura. Outro fuso-horário. Outro café. Agora, café da manhã. Com gosto de abacate sem açúcar, torradas com mel, e suco natural. E então aquele café da manhã já não era mais o mesmo café da manhã. Era um “Bom Dia”, “Como vai seu dia”. Mas era o mesmo café: doce como açúcar mascavo e amargo no final. Tinha fim. E uma finalidade. Viraram sinais. Sinais sonoros com frequências que proporcionaram uma trilha sonora difícil de ser substituída. Era um som constante, uma onda como podemos ver no mar. Eu podia perceber quando estava por chegar, mas não chegava aos meus pés. Chegava em minhas mãos, pelo celular. Era leve e colorido como o pôr do sol que eu não vi naquela tarde que me prendi aquela voz que me dizia como foi seu dia. Era uma voz delicada. Era um momento que queria se transformar em vida. Por isso se tornou uma trilha sonora. Mas eram só mensagens. Coisas da tecnologia. Coisas que ficaram em um celular. Mas com gosto, som e cor.

Não era mais a mesma terça feira. Mas era uma terça feira. Agora uma chuva se apodera daquele céu azul. A lua toma o lugar do sol que brilhava a dias. A dias eu tomei café com açúcar mascavo servido ao som de Adam Levine. Tão convidativo como suas músicas eram as mensagens e tinham um ritmo convidativo para a dança. Era alegre. Era leve. Mas era e não é mais. Pois começou a ficar difícil de respirar com todas aquelas cores, todo aquele café, e parecia uma intoxicação de sexto, sétimo e oitavo sentido (se é que existem). E o que parecia confortável começou a me empurrar para uma areia macia, branca e um mar transparente de águas frias impossível de mergulhar e ali permanecer. Como qualquer outro ser humano eu precisava respirar outro ar, beber outra bebida para me equilibrar.  E como um vento forte eu agi. Limpei a xícara com detergente. Passei a bucha, enxaguei e sequei. Sobrou uma gota de água e pensei em passar o dedo para deixar minha xícara apresentável no trabalho. Mas eu deixei rolar. Tinha aparência saudável como uma pessoa que lida com seus problemas encarando-os de maneira a compreender que toda imersão não pode se submeter a nenhuma subversão.

Hoje, é sexta feira. Não tem sol. O clima é bom. E o celular pode não estar desligado, mas eu? Eu me desliguei daquela trilha sonora pois aquela onda que vinha daquele mar não toca mais as minhas mãos.”